A bem da Nação

ANATÓLIA – 1

 


 


Bem me lembrei de Timor Lorosae quando Ata, o nosso competente guia turco, nos disse que Anatólia significa «o brilho do Sol no leste». Pela Wikipédia fiquei a saber que: O nome deriva do grego Aνατολή (Anatolē) ou Aνατολία (Anatolía), que significa "brilho do sol" ou "leste"; a forma turca Anadolu deriva da versão grega original e é frequentemente associada com ana ("mãe") por etimologia popular.


 


Saídos de Lisboa, fizemos um voo de quase 5 horas e ao aterrarmos em Antália deparei com uma aerogare que me deixou «bouche bée». Passada a manga que nos traz do avião, entramos num recinto (de grande, não lhe posso chamar sala nem sequer salão) com um lago central e com esculturas clássicas a toda a volta como se estivéssemos a entrar num museu cuja missão fosse a de nos embasbacar.


Pese embora alguma da minha militância anti-adjectivante, nada de mais apropriado me ocorre do que «lindo». Podia também invocar outras classificações tais como «grandioso», «fantástico», etc., mas volto à primeira forma: lindo! Tudo sobre chão de mármore que devia ter sido acabado de limpar.


 


Alexandre, o grande, espera pelos turistas


(cópia do original que se encontra no Museu)


 


 


Cumpridas as formalidades policiais e aduaneiras (sabiamente, a Turquia não é membro da UE), foram os vários grupos de turistas constituídos e lá seguimos em autocarros tão bons como os nossos a caminho do hotel.


 


O plural que usei até aqui não é majestático mas sim correspondente a um grupo de um pouco mais de 200 turistas portugueses que se sentiu atraído por um programa que me chegou pela Bertrand mas que a outros terá chegado pelo Círculo de Leitores ou pelo Automóvel Clube de Portugal. Nenhuma destas instituições me paga para eu aqui lhes fazer publicidade (o que logicamente eu recusaria pois o SAPO não o permite) mas na verdade há que as referir como «pieds à terre» em Portugal de uma qualquer instituição governamental turca que suporta os custos da nossa hospedagem em hotéis de 4 e 5 estrelas. Nós, os turistas, só pagamos a viagem de avião e as excursões locais.


 


Até ao momento em que escrevo estas linhas ainda não percebi exactamente qual o interesse do Governo Turco em nos proporcionar tanta mordomia mas do que não duvido é que nós, os turistas, saímos de tudo isto muito claramente beneficiados. Creio que todos os meus companheiros de viagem me acompanham em uníssono: venha mais disto!


 


Bem se vê que não somos Contribuintes turcos; se o fossemos, não sei se concordaríamos assim tão abertamente.


 


Com os ouvidos cheios da «crise» em que a demagogia pretérita nos meteu e de que a austeridade “strauss-kahniana” nos trata, a benigna recepção turca soou-nos como a melodia mãe de todas as harmonias.


 


(continua)


 


Lisboa, Maio de 2011


 


Henrique Salles da Fonseca Henrique Salles da Fonseca

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