A bem da Nação

AFIRMAÇÕES E DÚVIDAS

 


HSF-honras militares.jpg


 


Tanto a semântica como a sintaxe nos ajudam a definir conceitos que umas vezes nos convencem, outras nos deixam indiferentes e outras ainda nos provocam revolta ou aprofundam ainda mais as nossas dúvidas estaminais. De tudo isso relativo à linguística, apenas me interesso pela etimologia na medida em que ela seja verídica e não uma sucessão de invenções e improvisos para demonstrar algo ou o seu contrário.


 


Por exemplo, tenho a certeza de que «capitão» deriva do «capito» latino e nada tem a ver com «aquele q’apita» apesar de alguns terem a mania de usar apitos para transmitirem ordens. Sim, Capitão é feito para dar ordens. Pelo menos, aos que estejam na sua dependência hierárquica pois dele para cima são outros que lhe dão ordens a ele. É então que se diz que nessas circunstâncias «alguém apita mais fino».


 


No nosso “Protocolo Militar de Honras e Galhardias”, Capitão tem honras de Senhoria.


 


- Vossa Senhoria dá licença?


- O que manda Vossa Senhoria?


- Que Vossa Senhoria tenha muita saúde.


 Etc...


 


Naqueles tempos em que fiz o Serviço Militar Obrigatório só havia homens nas fileiras do nosso Exército mas agora também há mulheres e eu pergunto-me amiúde como mandarão as regras gramaticais definir os femininos dos postos.


 


Não conheço essas regras mas também não tenho muitas dúvidas:


 


Soldado – Soldada;


Cabo – Extremidade («Caba» não me soa bem);


Sargento – Sargenta;


Aspirante – Aspirante (seria «Aspiranta» no conceito de Dilma Roussef mas não no meu)


Alferes – Alferes (Dilma deve dizer «Alferesa» ou «Alferoa» mas o problema é dela);


Tenente – Tenente (aquela que tem, poderia ser «Possuidora» ou «Possessiva»);


Capitão – Capitã (ou Capitoa mas prefiro a primeira hipótese);


Major – Majora (como a marca de brinquedos infantis);


Tenente Coronel – Tenente Coronela («Possessiva Coronela» parece-me militarmente arriscado);


Coronel – Coronela;


Brigadeiro – Brigadeira;


General – Generala.


 


Sempre no tal “Protocolo Militar de Honras e Galhardias”, se Oficial tem esposa, Sargento tem mulher e Soldado tem fulana, o tratamento é de «Vossa Excelência» de Major ou Majora inclusive até lá acima, Capitão ou Capitã é, como já disse, «Vossa Senhoria», Sargento ou Sargenta é «o Senhor» ou «a Senhora», Soldado é «tu» ou «tua». Será? Às vezes ainda tenho dúvidas...


 


Mas as dúvidas que mais me assoberbam são:



  • Se um Oficial Superior ou General masculinos recebem a honra de «Excelência», por que razão a honra desses postos no feminino não deva ser «Excelêncio»?

  • O mesmo se diga do Capitão, «Senhoria», em que à Capitã deveria corresponder a honra de «Senhorio».


Será?


 


É que, realmente, custa-me que numas situações o posto e a honra sejam de géneros diferentes e noutras se mantenha o género. Parece-me homogenérico, o que não tarda muito pode variar para outras homogeneidades menos naturais. E disso eu não gosto.


 


A língua portuguesa é mesmo muito fértil.


 


Outubro de 2015


 


Henrique Salles da Fonseca (NOV14).jpg Henrique Salles da Fonseca


 


 


In ESCRITOS DE OUTONO, 2015

0