A bem da Nação

A REVOLUÇÃO CULTURAL PORTUGUESA - 2ª PARTE


 

 

1901


Apesar do êxito da política externa de D Carlos, os desentendimentos nos partidos monárquicos afetam negativamente a monarquia:   dá-se a dissidência de João Franco (anticlientelista) no Partido Regenerador seguida, um ano mais tarde, da defecção oportunista de José Alpoim, no Partido Progressista.

 

O "clientelismo" político que então infetava a sociedade civil   resultaria talvez do impacto produzido pela Revolução Industrial, em curso avançado na Europa, sobre uma sociedade de cariz eminentemente rural como era a portuguesa. A industrialização, por um lado, provocou o aviltamento dos preços agrícolas enquanto que, por outro, agudizou o apetite pelas comodidades que a indústria fazia afluir com abundância crescente aos mercados. A vontade de acompanhar os padrões de vida e culturais europeus instalou-se em Portugal antes que se desenvolvesse internamente a capacidade de criação de riqueza. Criou-se assim um desequilíbrio estrutural que o tempo agravou. Em tais circunstâncias, para aqueles que não tinham energia e iniciativa para emigrarem para o Brasil ou para as colónias, as sinecuras e prebendas do Estado apresentavam-se como a única via de salvação.

 


1902


Desenha-se um movimento pró moralização da vida pública que tem como referencia a figura de Mousinho de Albuquerque. D. Carlos nomeia o ilustre militar aio do Príncipe Real.

Uma nova geração de lideres assume o comando do Partido Republicano e inaugura uma estratégia de intervenção sistemática da "rua" na vida política do país. Destacam-se Afonso Costa, António José de Almeida e o médico Miguel Bombarda.

 


1903


Abril - Eduardo VII de Inglaterra dá início à sua visita a Lisboa, primeira etapa da viagem que empreendeu pela Europa em prol do restabelecimento do equilíbrio necessário à preservação da paz.

 


 


Dez.  - Afonso XIII de Espanha visita Lisboa

 


1904


Nov. - D. Carlos retribui a visita de Eduardo VII

 


1905


O Príncipe Real visita as colónias portuguesas de África.

o Kaiser Guilherme II da Alemanha visita Lisboa, onde se apresenta envergando o uniforme de coronel de Cavalaria do Exército Português

O Presidente da República Francesa, Loubet, visita Lisboa.

 

É patente que D. Carlos desempenha um papel cada vez mais importante no quadro político euro-atlântico.

 


1906


Perante a passividade do Rei, Mousinho suicida-se

O Príncipe Real, D.Luís Filipe, faz o tirocínio de subalterno no Regimento dos Lanceiros de el-Rei.

Início da campanha republicana contra os adianta-

mentos à Coroa

 

 


1907


Maio-  O Rei dissolve as cortes e instala a ditadura de João Franco

 

Alves Roçadas termina a pacificação do Sul de Angola

 

Greve Académica de Coimbra

 

 

 


1908


Jan, 28- Tentativa fracassada de golpe republicano em Lisboa; presos os principais chefes republicanos


 


Fevº,1 - Regicídio: o Rei e o Príncipe Real assassinados no Terreiro do Paço

 


 


D. Manuel II ascende ao trono e restabelece a constitucionalidade.

 

Os prisioneiros de 28 de Janeiro são postos em liberdade


 


 


1909


Lançado no Porto o movimento cultural da Renascença Portuguesa encabeçado por Leonardo Coimbra, António Sérgio, Augusto Casimiro e João de Barros.

Os intelectuais portugueses reagem ao positivismo importado do centro da Europa e propõe o "saudosismo" naturalista de Teixeira de Pascoaes com referência cultural portuguesa. António Sérgio desligar-se-ia mais tarde do movimento para regresar ao racionalismo que inspirou a Seara Nova

 


 


 


1910


Abril - Rebenta o escândalo do Crédito Predial, prova evidente de que a monarquia constitucional não tem meios de assegurar a fiabilidade do sistema financeiro.


 


Outº,4/5 - Golpe republicano, organizado pelo Almirante Cândido dos Reis. A grande maioria dos oficiais de Marinha absteve-se, contrariamente ao esperado pelo cabecilha da revolução, o que leva aos seu suicidio. Porém,  Mendes Cabeçadas apossa-se do cruzador " Adamastor", surto no Tejo, em frente de Alcântara e, com dois tiros certeiros sobre o Palácio das Necessidades, atinge o quarto de cama do rei e derruba o mastro que hasteava o estandarte real. Escassas forças revolucionárias, chefiadas por Machado dos Santos, concentram-se na Rotunda.

O rei D. Manuel, segue o aconselho de tomar o caminho da Ericeira acompanhado da rainha mãe. Por fim,   o rei e a sua comitiva embarca No iate real e abandona o país rumo a Gibraltar.

 

Na madrugada de 5, o cônsul da Alemanha toma a iniciativa de pedir a suspensão de hostilidades no centro de Lisboa, para evacuação de feridos. Massas populares aproveitam imediatamente o ensejo e saem para a rua para manifestarem a sua solidariedade com os revoltosos.


 


José Relvas proclama a República, nos Paços do Concelho de Lisboa.

 

Teófilo Braga assume a chefia do Governo provisório, cabendo a Afonso Costa a pasta da Justiça

 


 


Outono - Restituídos à liberdade os membros de associações secretas presos pela monarquia; desterrados os juízes que, sob a monarquia, haviam condenado os prisioneiros políticos; proscritas as ordens religiosas.

 


1911


Fev. - Destituído o Bispo do Porto, D. António Barroso, missionário de grande prestígio.

 


 


Abril - O governo provisório da República aprova a Lei de Separação da Igreja e do Estado, elaborada por Afonso Costa.

 

 

 

 

Luís Soares de Oliveira

 

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