A bem da Nação

A QUEM DAREI O MEU VOTO – 5

 


 

Fonte: Séries Longas do Banco de Portugal

 

 

O gráfico acima começa em 1948 e acaba em 1995, tem como unidade base o milhar de Contos (milhão de Escudos) e representa os saldos da Balança de Transacções Correntes em que a parcela amarela corresponde aos Bens e Serviços Transaccionáveis, aqueles que podem ser objecto de comércio internacional.

 

Uma imagem vale mais que mil palavras mas não resisto a referir que o modelo de desenvolvimento instalado em Portugal tem disso apenas o nome pois que se verifica uma redução constante da importância relativa da produção de bens transaccionáveis face ao Consumo Nacional desse mesmo tipo de bens e serviços.

 

Ou seja, o aumento do consumo vem sendo alimentado pelas importações que alguém tem que pagar ao estrangeiro.

 

Como de 1995 a esta parte não verificámos alterações de política que permitam vislumbrar alguma correcção da situação, temo mesmo que, pelo contrário, se verifique um agravamento pois é sabido que o endividamento externo raia a quase totalidade do PIB.

 

As bóias de salvação sobre o exterior têm sido as remessas de emigrantes, o investimento estrangeiro e o lambaz que tem sido o BCE e seu Euro.

 

É óbvio que o modelo tem que ser drasticamente alterado e que chegou o momento de termos que voltar a produzir o que consumimos.

 

Mas para que isso seja possível, é imprescindível criar condições que permitam racionalidade no método de formação de preços e garantam a transparência dos mercados.

 

Eis por que darei o meu voto a quem se comprometer com a criação das referidas condições que tenho como imprescindíveis mas suficientes para o relançamento da produção agrícola e das pescas, para a valorização da propriedade rural, para o repovoamento do interior, para o ressurgimento duma procura de factores de produção que justifique o relançamento industrial.

 

Em suma, darei o meu voto a quem se propuser lançar políticas favoráveis à produção nacional de bens e serviços transaccionáveis. Mas atenção! Basta de políticas subsidiárias, as que trocam subsídios públicos por apoios políticos!

 

ANDA POR AÍ ALGUÉM INTERESSADO NO MEU VOTO?

 

Lisboa, Setembro de 2009

 

 Henrique Salles da Fonseca

 

 

 

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