A bem da Nação

A PROVÍNCIA PLATINA - 5

O TROPEIRISMO NO BRASIL

 

 

Final da parte 4: A partir do distrato de El Pardo os choques militares criaram uma situação nova. Portugueses e espanhóis voltaram a defrontar-se no sul. A essa época a sociedade já se encontrava presidida pela Comandância Militar dependente do Rio de Janeiro. Os reforços chegavam por via marítima apoiados no Rio Grande, no Porto de Casais e em Rio Pardo. Surgiram dois grupos de população: um no litoral e outro no interior do continente. Eles uniam-se nas lutas militares.

 

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O tratado de Madrid em 1750 entregou a Colónia do Sacramento à Espanha e em troca Portugal ficou com a posse das Missões.


O tratado de Santo Ildefonso sancionou uma série de choques militares desfavorável aos portugueses. A predominância da Espanha acabou por retirar ao domínio luso a região das Missões e a Colónia do Sacramento. O território sulino ficou restrito à faixa em que a colonização e os postos militares estáveis haviam consolidado o domínio a favor dos portugueses; e uma faixa de campo no interior próxima aos açoritas, estreitando para o sul, onde se encontravam os melhores campos para as pastagens. Independente do tratado entre as Cortes, a partir das regiões de colonização estável, os aventureiros preadores de gado da Campanha não reconheceram as discriminações dos tratados. Permaneceram em sua actividade de arrebanhar o gado solto naqueles campos de posse oficial espanhola. É a fase tulmutuada das "arriadas", ou seja, de saques, invasões e expropriações.

 

(...) "São os fazedores de arriadas, que justamente por isto, se constituem também os primeiros apropriadores da grande planície . (...). Não são apenas pilhadores de mulas e cavalos ou gado para a courama; são também guerrilheiros, porque na planície desafogada, ainda sem dono, eles encontram, a cada passo, pela frente, o espanhol disputando o direito de prea aos rebanhos bravios. Por isto o choque entre as duas expansões - de que resulta um estado de tropelias contínuas na fronteira. Na do Rio Pardo, por exemplo, os conflitos são constantes e constituem a forma normal por ali. (...). Fazedores de arriadas eles têm a função culminante: são os apropriadores, os desbravadores e os pré-civilizadores da planície gaúcha. Conquistando-a, limpando-a do espanhol e do índio para que nela se possam estabelecer a seguro os verdadeiros colonizadores". (Oliveira Viana: Populações Meridionais do Brasil, II - O Campeador Sulino, Rio de Janeiro, 1952, pág.130).

 

      

A acção desses homens sempre prontos à luta estende a penetração lusa.Viamão e Rio Grande representam a primeira fase do apossamento das terras sulinas de povoamento estável e contínuo. Numa segunda fase, segue-se o avanço e surge a região do Rio Pardo. A terceira incorpora o antigo território missioneiro, quando Portugal e Espanha, no início do século XIX, entraram em nova fase de conflito. As lutas de 1801 definem a conquista da região missioneira, que fica incorporada novamente em área portuguesa para no futuro tornar-se brasileira até o corte do Uruguai. É o final do ciclo dos tropeiros. Vivera primeiro do tráfico do gado em pé. Em seguida, da matança dos animais para a obtenção dos couros.


  Porto Alegre, ex-Viamão


A fase seguinte é a do comércio de couro e da distribuição das sesmarias. Destas surgem as estâncias e com elas a valorização da carne como alimento, antes desprezada. Os gaúchos aprendem a salgá-la para durar mais tempo. Com este aprimoramento criam os frigoríficos e acontece o desenvolvimento da exportação do charque.

 

No Rio Grande do Sul a cidade de Viamão e Laguna em Santa Catarina foram os principais centros de comércio e formação de tropas com destino a São Paulo. Era o comércio paulista tropeiro. Com ele diversas cidades em São Paulo prosperaram. A principal foi Sorocaba com seu comércio de animais.

  

O comércio de mulas e gado a partir do Rio Grande do Sul, com os mercados distribuidores em São Paulo para abastecer as Minas Gerais, que durou um século e meio, promoveu a ocupação do interior, contribuiu para consolidar o domínio português fundando vilas e cidades. Integrou a região sul a outras regiões da colónia.

 

"A economia mineira permitiu integrar as diferentes regiões do sul do país. A actividade pecuária expandiu induzindo a uma utilização mais ampla das terras e do rebanho. Fez interdependentes as diferentes regiões. Umas especializadas na criação, outras na engorda e distribuição e outras os principais mercados consumidores. É um equívoco supor que foi a criação de gado que uniu essas regiões. Quem uniu foi a procura do gado que se irradiava do centro dinâmico constituído pela economia mineira".  ( Celso Furtado, 1979 ) 

 

Interesses mercantis, visando a economia mineradora, foram responsáveis por toda essa integração. A actividade dos tropeiros ganha importância à medida em que garante efectivar esses interesses e contribui para a formação do território português, depois brasileiro.

 

Quanto a Porto de Viamão, no século XVIII, foi o primeiro nome dado à região actualmente ocupada por Porto Alegre. Para lá começaram a chegar, em 1752, os primeiros casais vindos das ilhas dos Açores.

 

Continua.

Campo Belo, 18 de dezembro de 2007


Therezinha B. de Figueiredo 

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