Os ideólogos da República acreditavam que a aposta na educação reabilitaria o povo para poder ombrear com os países mais prósperos.
Ao chegar ao poder, em 1910, os republicanos encontraram uma realidade educativa que afastava Portugal da maioria dos países europeus. As taxas de analfabetismo rondavam os 75,1% na totalidade, sendo de 81,2% para as mulheres. Perante tal situação, o combate ao analfabetismo impunha-se como objectivo prioritário.
A I República em Portugal distingue-se pelas suas amplas e frequentes discussões sobre as reformas da escolarização, com uma preocupação vigorosa em pensar e modificar os padrões do ensino e cultura das instituições escolares. Note-se que a República procura combater a situação deficitária, no campo educacional, do tempo da Monarquia, que não era brilhante, dado que a taxa de analfabetismo era elevada.
O governo republicano fez novas tentativas no desenvolvimento educacional, de tal modo que foi criada a primeira escola de enfermagem em 1911, enquanto a educação oficial e livre foi instituída, para todas as crianças, através de um decreto. Foi introduzido um novo método de ensino pelo qual o aluno aprendia não através do esforço de memória mas através da vontade própria em aprender. Foram também criadas as escolas superiores primárias que aumentariam o nível educacional.
Uma quantidade enorme de reformas pedagógicas foi introduzida no ensino secundário. Todavia, fora do sistema de educação oficial é que surgiram os mais importantes progressos. As actividades culturais em geral intensificaram-se através de discussões e outras manifestações populares baseadas em associações livres. Em 1912 foram fundadas as chamadas Universidades Livres e em 1913 as Universidades Populares abertas ao público e onde os trabalhadores participaram activamente.
Outra inovação educativa republicana foi a atenção prestada ao ensino científico e experimental. Nesse aspecto são de realçar os esforços para dotar liceus e universidades de laboratórios, teatros anatómicos, jardins botânicos, etc. O ensino universitário foi completamente modificado na sua estrutura, desde logo com a criação de novas universidades em Lisboa e no Porto. (...) A crítica ao ensino universitário até então ministrado em Coimbra foi demolidora. Pretendia-se um novo ensino em que o aluno não se limitasse a decorar e debitar as teses dos seus mestres presentes nas «sebentas». O ensino deveria ser experimental e seguir o método científico.
(...) a formação de um cidadão consciente, verdadeiramente livre e autónomo, é um ideal que só se efectiva em democracia.
In A SACRALIDADE LAICA REPUBLICANA, Fernanda Santos e José Eduardo Franco, Brotéria, Janeiro de 2013, pág. 61 e seg.