A bem da Nação

A FUNDAÇÃO DE MOSCOVO

 


 


Na alta margem do rio Moskvá, entre denso bosque, há oito séculos, precisamente na primavera do ano de 1147, dois príncipes russos festejavam alegremente com as suas "drujinas" (milícias).


 


[Repare-se que foi neste ano de 1147 que Santarém, Lisboa, Sintra e Palmela foram tomadas aos mouros por D. Afonso Henriques, o fundador de Portugal]


 


Um deles, o príncipe Sviatoslav Novgorod-Severskii vinha da guerra com a terra de Smolensk. O outro, o príncipe de Suzdal, Yuri Vladimirovitch Dolgorukii, devastara a cidade de Torjok e as terras do rio Mstá. Tendo colhido grande saque, Yurii  mandou dizer ao seu aliado e amigo Sviatoslav:


-- Vem ter comigo,  irmão, a  Moskov.


E os príncipes encontraram-se junto a um rio caudaloso. Aqui em colinas, achava-se a casa do príncipe -- uma instalação rural onde se alojava o príncipe de Suzdal quando se dirigia à terra de Kíev.


Celebrando ruidosamente a vitória, os príncipes trocaram presentes e  separaram-se para as suas  terras...


 


 


 


 


É desta maneira que os vetustos manuscritos pela primeira vez mencionam Moscovo. Conservou-se a velha tradição de que nas margens dos rios Moskvá e Neglínnaia, entre paúis e bosques nesses tempos longínquos vivia o boiar (nobre) Stepan Ivanovitch Kutchka. A sua casa, diz a tradição, estava no local de Moscovo hoje conhecido como Tchistye Prudy (tanques limpos).  E o senhor Kutchka possuiria as aldeias em redor: Vorob'iov (dos Pardais), Vyssotzkii (Grande Altura), Kudrinyi (cabelos com mechas?), Sushtchionyi (Fruta Seca?). 


Por uma qualquer razão o senhor Stepan Ivanovitch se encolerizou com o píncipe de Suzdal ou  este invejou as terras daquele, as suas  grandes casas e aldeias -- quem sabe? --, a verdade é que o narrador, calmo e sem se emocionar, escreveu: tendo castigado o boiar Kutchka, "o príncipe Yurii subiu ao monte e olhou em volta de si, para ambos os lados do rio Moskvá  e para além do Neglínnaia;  gostou destas aldeias e ordenou construir uma pequena cidade  de madeira. E assim foi fundada a cidade de Moscovo; em volta de um pequeno estabelecimento senhorial, a drujina construiu um forte de madeira. O estabelecimento de Moscovo transformara-se na fortaleza de Moscovo.


Lopatin


 


***


 


Tenho-me esquecido de dizer que estes trechos da primitiva história russa foram tirados do livro "Civilization et Littérature Russes", dos autores G. Davidoff e P. Pauliat, edição Didier. Este livro vem todo escrito em russo e destina-se aos estudantes de russo. Comprei-o em Lisboa, em 1968, e tenho-o com muito gosto entre os muitos livros de russo que tenho comprado ao longo dos anos. E assim adquiri um conhecimento muito apreciável da língua e cultura russas. Contudo... continuo a perceber muito pouco do russo falado nos três canais russos que tenho à minha disposição...


 


AH! Já Reis não sou! 


Meu ser evaporei na luta insana das línguas...., eu,  que nunca gostei da língua de vaca nem das línguas viperinas dos maldizentes.


Antes o Inglês, língua de caca!


Antes o Russo dos Velhos Crentes!


 


NOTA: Os Velhos-Crentes ou Rasskól'niki não queriam de modo algum alterar os velhos livros religiosos, cheios de erros e incompreensões, e na sua teimosia fanática até se queimaram em fogos por eles próprios ateados. Ao todo, uns vinte mil pereceram!!


(Não foi a Inquisição!!!)


Ler, liam mal, mas falar falavam!


Nanja eu! que leio mal e falo pior!


"В огне спасешься!"


"No Fogo te salvarás"


Nanja eu!


 


Joaquim Reis

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