A bem da Nação

A ESCADA DO GALEGO

 


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Também teve as suas ambiguidades, Salazar – tal como o galego da escada que ninguém descortina se ele está a subi-la ou a descê-la, segundo referência de António Pina do Amaral no artigo Salazar e Franco mas era indiscutivelmente um homem que sabia o que queria. E por isso permaneceu no seu posto longo tempo – tal como, afinal, Jardim, que também apreciou o posto – e Cavaco, e Soares, e tutti quanti – embora o controlo dos gastos daquele fosse mais visível, e sempre no amor da pátria, que conseguiu desendividar e fazer progredir - dentro de normas de avara mesquinhez, é certo, mas dentro de preceitos de ética mais visíveis. Outros homens lhe reconheceram a competência – espanhóis – como os que o texto de António Pina do Amaral identifica.


 


Eram estrangeiros, por isso imparciais, mas evoco ainda, a propósito de admiração, o meu amigo Juiz Dr. Brites Ribas, que me deu a conhecer um pouco de Lisboa e os “marinos” do café Central – (em nada, apesar de tudo, camaradas na parcimónia de Salazar, referida no texto de Pina do Amaral) – o qual amava Lisboa e admirava Salazar: Considerava-o o maior estadista português de todos os tempos, o mais inteligente. Era Juiz, conhecia-lhe a obra e tinha bom senso.


 


Este elegante artigo de Pina do Amaral revela um pouco dessa inteligência de Salazar em acção. E a simplicidade criteriosa do seu viver sem espectáculo. Mas sabendo convencer quem se propunha convencer, numa época perigosa e dúbia, em que conseguiu livrar o seu país ingrato das garras que dilaceraram outros com menos sorte.


 


Como somos ingratos, não queremos reconhecê-lo e preferimos “branquear” esse passado, menosprezando-o, trocando os nomes que àquele pertenceram, segundo uma “ponte” de partida para uma nova era, de muita presunção e de muita pobreza.


 


Ainda ontem tal mesquinhez foi visível, nas reacções dos partidos à nova injecção de dinheiros aos países necessitados da UE, para efeitos de desenvolvimento económico. Logo toda a Oposição entoou chufas ao Governo da austeridade que nunca tentara negociar a dívida, limitando-se a cumprir segundo as ordens recebidas – (mas suponho que também por escrúpulo de honestidade que, por mim, aprecio).


 


E foi por isso que não estranhei o ar radioso de António Costa, aproveitando o facto para logo apontar o dedo triunfalmente acusador, senhor que se segue, que não descura o trunfo a seu favor, como o galego na sua escada, já sem ambiguidade, pronto a subir.


 


Berta Brás.jpg Berta Brás

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