A bem da Nação

“A DOR HUMANA BUSCA OS AMPLOS HORIZONTES”

 


 


Sem dúvida, dois belos textos, o de Salles da Fonseca [1] e o de Adriano Miranda Lima [2] sobre o problema do Mal e a questão da Fé, que o primeiro não põe em causa, apesar da revolta contra a injustiça daquele, centrando na esperança e na partilha da pena a consolação amiga, embora de escasso refúgio, e o segundo, seguindo doutrinas mais positivistas, encarando o Mal, tal como o Bem, como condição aliada ao sentido vital da existência.


 


Ninguém, todavia, mais positivo ou mais frágil, consegue provar em definitivo a sua verdade, creia ou não numa entidade teológica responsável pelo universo criado, que o “roseau pensant” imaginou desde as suas origens, registadas na pedra.


 


O certo é que o Bem que nos protege pode contribuir para um íntimo sentir de gratidão, tal como o Mal, passada a revolta, de aceitação solidária com tantos mais exemplos desse e o sentimento de humildade que todos devíamos ter presente no breve espaço do nosso trânsito terrestre.


 


Mas lembremos Cesário e o final do extraordinário poema- (sinfonia em quatro andamentos) -O sentimento dum Ocidental” com a sua acutilante sensibilidade ao mundo real e ao universo transcendental, peculiar ao Homem, mas de expressividade particular a Cesário Verde:


 


 


E, enorme, nesta massa irregular
De prédios sepulcrais, com dimensões de montes,
A Dor humana busca os amplos horizontes,
E tem marés de fel como um sinistro mar!


 


 


 Berta Brás







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