A bem da Nação

A descoberta dos Açores

   


                                      
Localização de Açores


 

 

 

 

A descoberta da ilhas dos Açores é um assunto antigo e de arengada polêmica. Segundo os livros, oficialmente, não há registro conhecido que confirme uma data específica desse acontecimento, embora se saiba que terras atlânticas já eram referidas em portulanos antigos desde o século XIV.

 

A primeira referencia da descoberta do arquipélago açoriano vem em AZURARA (Crônica do descobrimento da Guiné). ,,," E na era de mil...(?) anos mandou o Infante D. Henrique a um cavaleiro que se chamava Gonçalo Velho, Comendador que era da Ordem de Xpõ (Cristo) que fosse povoar, outras duas ilhas que estão afastadas daquelas (Madeira e Porto Santo) a cento e setenta léguas a noroeste".

 

Outro escritor coevo do Infante, o almoxarife do Paço de Sintra, Diogo Gomes, conta-nos o seguinte:

"Em certo tempo o Infante D. Henrique desejando descobrir lugares no Oceano Ocidental, com o intuito de averiguar se existiam ilhas ou terra firme pra além das descritas por Ptolomeu, mandou caravelas a procurar essas terras. Seguiram viagem e viram a ocidente trezentas léguas além do Cabo Finisterra e vendo que eram ilhas, entraram na primeira. Aquelas caravelas voltaram a Portugal a comunicar ao referido Infante as descobertas que tinham feito, com o que ele folgou muitíssimo.... O Infante D. Henrique mandou certo cavaleiro por nome de Frei Gonçalo Velho, para capitanear as caravelas que conduziam animais domésticos que se distribuíram por cada uma das ilhas..." Não fala quem capitaneou as caravelas da descoberta das ilhas, só da povoação.

 

O historiador açoriano, Gaspar Frutuoso, 150 anos depois, escrevia:

"No ano de 1428 se conta que foi o Infante D. Pedro à Inglaterra, França, Alemanha, à Casa Santa e outras daquelas bandas e tornou pela Itália, esteve em Roma e Veneza e trouxe de lá um mapa-mundi que tinha todo o ambiente da Terra e o estreito de Magalhães a que chamavam de Cola do Dragão e o Cabo da Boa Esperança, fronteira da África; e conjecturou que deste se ajudaria o Infante em seu descobrimento..."

O que se supõe as terras já serem conhecidas. Mas quem seriam os que as viram primeiro? Os fenícios, mareantes que saídos do Mediterrâneo, singravam aqueles mares até a Grã-Bretanha, à cata de estanho e animais? A favor dessa hipótese há a descoberta moedas fenícias e cirinaicas na Ilha do Corvo, no século XVIII. Os romanos falavam das numerosas ilhas atlânticas. Strabão cita as Ilha Britânicas e as Cassitéridas. Plínio fala das Gorgondas, onde haviam mulheres com o corpo coberto de cabelos, das Hespérides ou Purpurinas e a meio delas as Afortunatas.

 

Nos séculos VII, XIII e XIV as embarcações genovesas e catalãs atravessavam o Atlântico e iam e vinham da Escandinava, comerciando. Os cruzados também viajavam pelo Atlântico,  do Norte até Gibraltar, para depois seguirem pelo Mediterrâneo até a Palestina. No século XIII, Veneza comerciava com Flandres, por mar. Cartas magrebinas ( árabes) dos séculos XI e XII assinalavam ilhas atlânticas. E a partir de 1351 quase todos os portulanos mostram a presença dessas ilhas. Com toda essa gente cortando as águas do mar-oceano norte a possibilidade de terem visto e aportado nos Açores é grande. Porém o que se tem de concreto é que a 2 de julho de 1439 o Infante D. Henrique dá a permissão para povoar as 7 ilhas dos Açores, pois Flores e Corvo só mais tarde em 1451 ou 1452 seriam descobertas por Diogo de Teive.

 

 Maria Eduarda Fagundes

Uberaba. 8/09/08

Referencia bibliográfica: ANAIS do Município da HORTA (Marcelino Lima)

0