A bem da Nação

A CULPA SYRIZADA

 


 


 Uma xenofobia epidérmica ilumina, entre os políticos e os jornalistas syrizados, os desaires sofridos pela sua prática política: inventam, assim, uma conjura imaginária atribuída ao outro, colocado no papel de inimigo, sendo as falhas e os desvios imputados ao estrangeiro malfeitor e maléfico.


 


Existe melhor forma de se subtraírem à responsabilidade depois de se isentarem de culpabilidade?


 


A infelicidade que assalta a actual política grega, dizem, tem origem na Alemanha cujo sucesso os irrita mas negam-se a reconhecer que o contraponto desse sucesso é a sua própria recusa em alterar os hábitos que os conduziram ao insucesso. E esta recusa, se intimamente reconhecida, é publicamente inconfessada. Eis como o anti germanismo tradicional se transforma em anti austeridade e anti todos os que vêm saindo da falência reconhecendo os erros praticados e corrigindo-os com as terapêuticas que eles, os syrizados, acusam de dolorosas.


 


Pouco separa, assim, as duas formas de expressar a hostilidade contra a Alemanha: o anti-germanismo tradicional que na Grécia ainda agora, passados 70 anos, reivindica indemnizações de guerra; a negação da austeridade como forma de renúncia à ética kantiana do dever perante o bem comum pela via do trabalho produtivo.


 


O proselitismo desta hostilidade levou as massas semi-letradas à euforia, à vitória eleitoral e à incongruência de quererem construir um novo edifício de facilidades ignorando as bases do velho edifício que eles próprios ajudaram a construir e os levou à ruína.


 


Não podem ignorar o passado, não deveriam morder a mão que os tem alimentado e não será enjeitando as culpas que poderão seguir um caminho com futuro.


 


Conto os dias desde a tomada de posse do Governo Tsipras até que tenham que emitir senhas de racionamento – mesmo que lhes chamem «Novo Dracma», para disfarçarem os erros doutrinários, de propaganda e negociais cometidos.


 


Custa-me crer que a culpa syrizada morra solteira com algum Coronel a «pôr fim à festa» mas temo mais ainda que as massas syrizadas por esse mundo além nada queiram aprender com essa derrota e persistam na blasfémia contra os outros.


 


Lisboa, 2 de Março de 2015


 


De Denang para Hué.JPG 


Henrique Salles da Fonseca

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