A bem da Nação

A BORBOLETA


ONU - o mundo globalizado numa sala


 


 


Veio a borboleta e poisou no rabo encaracolado do meu cão. Bastou eu fazer uma festa na cabeça do Caramelo para ele abanar o rabo e a borboleta fugir.


 


Eis como num mundo globalizado o espirro dum pária indiano pode afectar a vida dum engravatado europeu ou americano. É que se esse espirro vier a ser conhecido pela comunicação social, então pode servir de pretexto à redacção de notícia que provoque alguma reacção geral num certo tipo de leitores. A «arte» da manipulação da informação ao serviço de interesses nem sempre linearmente correlacionados com o facto original é uma realidade que todos constatamos mas contra a qual ainda ninguém se levantou em oposição eficaz.


 


Há anos, o protesto contra certas condições laborais feito pelo chefe do pessoal menor duma refinaria de petróleo na Nigéria desencadeou a notícia perfeita para provocar a subida da cotação do crude. Ninguém quis saber se esse protesto foi espontâneo ou encomendado por quem queria essa subida de cotação; ninguém quis saber se a esse protesto se seguiria ou não alguma ameaça de greve; ninguém quis saber se a putativa paralisação dessa refinaria teria algum impacto relevante na oferta de petróleo a nível mundial; ninguém quis saber quem redigiu a notícia e ninguém pensou em accionar judicialmente o director do órgão de comunicação que difundiu notícia tão pouco fundamentada e susceptível de provocar danos na economia globalizada.


 


Não se tratou de informação mas sim de intoxicação da opinião pública; tratou-se de clara manipulação dos mercados; não se tratou de liberdade de imprensa mas sim de libertinagem dolosa. Tratou-se, isso sim, de completa ausência de Ética.


 


E então?


 


Então, restam-nos algumas soluções alternativas:



  1. Pomos fim à liberdade de imprensa;

  2. Montamos um Estado Policial de censura prévia universal à Imprensa;

  3. Assentamos num Código Universal de Ética da Informação.


 


Escusado será dizer que prefiro a terceira solução, sobretudo se esse Código vier a ser discutido e aprovado pelas Nações Unidas e tenha efeitos vinculativos em todos os Estados com assento na Assembleia Geral da ONU.


 


E aqui fica já uma sugestão aos negociadores: quem prevaricar corre o risco de perder a carteira profissional e de ficar sujeito a penalidades judiciais em qualquer Estado que se sinta prejudicado pela prevaricação.


 


E já que estamos com a mão na massa, deixem-se de «borboletices» mas proíbam também a violência.


 


Julho de 2011


 


Henrique Salles da Fonseca

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