A bem da Nação

«A ALEMANHA NA E COM A EUROPA» – 1

 


Discurso de Helmut Schmidt,
ex-chanceler, no Congresso ordinário do SPD


Berlim, 4 de Dezembro de 2011


 


Queridos Amigos, minhas
Senhoras e meus Senhores!


Deixai-me começar com uma nota pessoal.


Quando o Sigmar Gabriel, o Frank-Walter Steinmeier e o meu Partido me pediram mais uma vez uma contribuição, gostei de recordar como há 65 anos eu e a Locki, de joelhos no chão, pintávamos cartazes para o SPD em Hamburgo-Neugraben. Na verdade tenho de confessar desde já: no que diz respeito a toda a política partidária, já estou para além do Bem e do Mal, por causa da minha idade. Há muito que para mim, em primeiro e em segundo lugar, se encontram as tarefas e o papel da nossa nação no indispensável âmbito da união europeia.


 


Simultaneamente estou satisfeito por poder partilhar esta tribuna como o nosso vizinho norueguês Jens Stoltenberg, que no centro de uma profunda infelicidade da sua nação nos deu a nós e a todos os europeus um exemplo a seguir de direcção liberal e democrática de um Estado de direito.


 


Enquanto homem já muito velho, penso naturalmente em longos períodos de tempo – quer para trás na História, quer para a frente na direcção do desejado e pretendido futuro. Contudo, não pude dar há alguns dias uma resposta clara a uma pergunta muito simples.


 


Wolfgang Thierse perguntara-me: «Quando será a Alemanha, finalmente, um país normal?» E eu respondi: num futuro próximo a Alemanha não será um país «normal». Já que contra isso está a nossa carga histórica enorme mas única. E além disso está contra isso a nossa posição central preponderante, demográfica e economicamente, no centro do nosso continente, bastante pequeno mas organizado
em múltiplos estados-nação.


 


Com isto já estou no centro do complexo tema do meu discurso: a Alemanha na Europa, com a Europa e pela Europa.


 


(continua)

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