As instituições portuguesas que herdamos e nos acompanharam até à meia idade não resistiram à marcha do tempo. Foi-se o império, a soberania nacional, as revistas do Parque Mayer, as tertúlias da brasileira do Chiado, o grupo CUF, o Sousa Tavares a perorar contra a PIDE na barbearia do Largo das Duas Igrejas [ali mesmo ao lado] e as meninas devotas de negro vestidas na quinta-feira de endoenças. O Exército e a Marinha implodiram; as bibliotecas ambulantes da Gulbenkian levaram sumiço. Já não temos as "ternuras" da Lé-lé e do Zequinhas ou as vigarices do António Silva que nos faziam rir e nem sequer os artigos de fundo do Augusto de Castro no DN ou os discursos do Almirante Tomás que produziam mesmo efeito, embora não fosse essa a sua intenção. Desapareceu tudo, excepto o Benfica. O Benfica esse mantém-se e tanto basta para que continuemos a gostar disto .
Luís Soares de Oliveira